Covid-19 não é uma pandemia, mas uma "sindemia". Porquê?
Diretor do jornal médico The Lancet alerta para a conjugação entre a doença provocada pelo novo coronavírus e as doenças crónicas que atingem a população mundial, alimentadas pelas desigualdades.
As mortes provocadas pela pandemia de Covid-19 têm sido provocadas pela conjugação das taxas crescentes de doenças crónicas, doenças infecciosas persistentes e falhas de saúde pública, de acordo com um estudo global sobre saúde humana.
O surgimento e sobreposição da pandemia de coronavírus com um crescimento global continuado de doenças crónicas, como obesidade e diabetes, com riscos ambientais adicionados como a poluição atmosférica, exacerbaram a mortalidade por Covid-19.
O estudo concluiu que as principais causas de má saúde em pessoas com 50 anos ou mais em todo o mundo são cardiopatia isquémica, AVC e diabetes. Em pessoas mais jovens, entre os dez e os 49 anos, os acidentes rodoviários, o VIH/SIDA, dores de costas ou quadros depressivos eram dominantes.
O aumento de doenças crónicas, combinado com uma falha do sistema de saúde pública para lidar com fatores de risco possíveis de prevenir, deixou populações vulneráveis a emergências de saúde como a pandemia do novo coronavírus. "A natureza 'sindémica' da ameaça que enfrentamos exigem que não só tratemos cada doença, mas também tem que ver com as desigualdades sociais que lhes dão forma", defende Horton.
Doenças crónicas como a hipertensão, elevado nível de açúcar no sangue, obesidade e colesterol alto que atingem milhões em todo o mundo tiveram um papel importante nas mortes causadas pela Covid-19 até agora: mais de um milhão.
Estas condições de saúde, que são provocadas por dietas inadequadas e pouco exercício, "vão continuar a moldar a saúde em cada país depois do fim da pandemia", considerou o diretor do The Lancet.
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