A imagem dos corpos de Artur Fajardo, 48 anos, e da enteada Beatriz Cação, de 19, caídos na estrada após terem sido brutalmente atropelados por um carro em Pedros, Figueira da Foz, vai ficar "para sempre" na memória dos moradores da aldeia. Ao acidente sobreviveu a filha, de 12 anos, que está no Hospital Pediátrico de Coimbra com prognóstico reservado.
A família tinha acabado de sair do café, pelas 22h20 de segunda-feira, e dirigia-se a casa, do outro lado da EN109, quando foi colhida por um carro. As vítimas foram projetadas vários metros. Artur Fajardo morreu no local. Beatriz ainda foi levada ao hospital, mas acabou por morrer.
"Tinham estado aqui minutos antes e vê-los ali no chão foi horrível, com toda a gente a gritar", conta Dulce Campos, que trabalha no restaurante onde a família tinha estado. A colega, Raquel Cruz, garante que por "muitos anos que viva", aquela imagem nunca irá "sair da cabeça". Alertadas pelo estrondo, as duas correram para o local. Perante a tragédia, Dulce Campos confrontou o condutor, de 25 anos, que disse "não ir a mais de 60 quilómetros" e que terá ficado "encandeado pela luzes dos telemóveis das vítimas". A Dulce Cardoso, outra moradora, afirmou não ter tido "tempo de parar". O condutor, identificado pela GNR.
Artur Fajardo, pintor da construção civil, estava emigrado em França, estando de férias em Pedros. "Veio ver a mãe e ia regressar quarta-feira [hoje] a França", recorda o amigo Jorge Romão. Minutos antes da tragédia, diz ter estranhado que estivesse a beber água e até brincou com ele: "Disse-lhe que para estar a beber água ia morrer depressa e ele respondeu-me que não podia beber álcool porque tinha de fazer a viagem".
Condutor será amigo de familiar das vítimas