Um manto verde provocado por uma praga de jacintos de água no rio Sorraia, entre Coruche e Benavente, no distrito de Santarém, está a deixar a população indignada.
O fenómeno não é novo, mas os pescadores queixam-se de que as redes de pesca ficam presas e que este rio se tornou intransitável.
Alberto Santos, um dos fundadores do movimento Juntos pelo Sorraia, aponta o "bloqueio do rio" como a principal causa. Há um mês foi construído um açude devido à necessidade de se criar uma represa com água doce.
"Os jacintos que era suposto, com as marés, irem para o mar, começaram a ficar acumulados juntos a este dique", afirma. O açude já foi desmantelado. Para os pescadores a solução passa pela construção de uma "barreira" que permita juntar estas plantas numa das margens do rio.
Apesar de limpezas pontuais permitirem um controle momentâneo da praga, não resolvem permanentemente a situação, devido à rapidez de produção desta planta. De acordo com o Plano de Remoção do Jacinto de Água do Rio Sorraia, um só exemplar consegue produzir 50 a 70 novos jacintos "em apenas um mês".
No Sorraia "estaremos a falar de mais de um milhão de metros cúbicos de jacintos" afirma Carlos Coutinho, presidente da Câmara Municipal de Benavente. Embora esteja agendada para terça-feira a remoção dos jacintos, o autarca garante que a intervenção deverá "seguramente levar semanas ou meses".
O autarca aponta ainda "o clima de seca, ou de menos caudal" como a razão do fenómeno, contrariando a possibilidade de ter sido o açude a potenciar a situação, e conta que "o objetivo é usufruir e fruir do rio sem que tenhamos este problema".