O terrorismo na sua versão mais louca, com massacres perpetrados sem outra bandeira a não ser o desequilíbrio psíquico dos seus autores, desperta imitadores e banaliza os atos sanguinários. Continua o choque e pavor, mas falta um inimigo coletivo, a quem atribuir a responsabilidade da sanha assassina.
Assim, esfumar-se-á o sobressalto das sociedades e a solidariedade à volta das vítimas. Um dia destes, apagaremos os recentes massacres de Nice e de Munique, tal como já passámos a folha do 11 de Setembro e de outros crimes terroristas.
Alguns dizem que "é a vida". Outros apontam o dedo à manipulação da comunicação social, como fez, esta semana, Pacheco Pereira, na TVI, a propósito do escândalo financeiro ‘Papéis do Panamá’. Vale mais a pena deslindar as forças fáticas do obscurantismo.
Lembrar, afinal, que, em três meses e na sequência dos ditos ‘Papéis’, a Islândia, país considerado pouco corrupto, demitiu o primeiro-ministro, afastou o presidente da câmara da capital e tirou o presidente da República em funções da corrida a novo mandato. Se em Portugal não aconteceu nada de parecido é porque temos muito que aprender sobre a ação da Justiça.