No meu último artigo mencionei os homens e mulheres que me têm dado consolo nos tempos difíceis que atravesso. Mas há outros casos de bondade. Estou a pensar na médica Inês que não pode ir dormir a casa porque tem de cuidar de doentes atacados pela Covid-19, da aluna Constança que, com umas amigas, se ofereceu para ir para um lar em Trás-os-Montes, na jovem Joana que transporta comida, como voluntária, a quem não se pode deslocar. Todavia, estes factos não nos devem fazer esquecer que, ao lado do Bem, existe o Mal. Há quem especule com o preço das máscaras, do álcool e das luvas.
Há quem assalte as casas dos velhos. Há quem aproveite a quarentena para ver filmes pornográficos na TV. Há quem, por egoísmo, despreze as regras sobre o confinamento social.
Livro: Reler um ensaio de George Orwell
Neste momento de reclusão social, pode escolher livros que a façam rir, como, por exemplo, ‘I Feel Bad About My Neck’, de Nora Ephron, ou, desde que livre de pieguices, relatos sobre doenças, enfermarias e hospitais. Hoje, escolhi reler o ensaio de G. Orwell ‘Como Morrem os Pobres’. É uma obra-prima.
Livro: Portugal em Moçambique durante a Grande Guerra
Acabo de ler ‘A Guerra Que Portugal Quis Esquecer’. Sabia alguma coisa sobre o que, durante a I Grande Guerra, se tinha passado com a tropa portuguesa na Flandres, mas nada sobre o que ocorrera nas colónias. O autor teve
a sorte de ter encontrado numa arca o manuscrito de um combatente, o que não lhe retira o mérito.
Pandemia: Um aplauso para as empregadas de limpeza
Tendemos a louvar os médicos e os enfermeiros. Mas é preciso não esquecer as empregadas da limpeza que contribuem para que a infeção se não propague. Recordei-as por há dias ter lido a resposta de Filomena Simões, uma das responsáveis pela limpeza da UCI do Curry Cabral: "Temos de limpar. É o nosso trabalho".
Fugir de…Trump e não só
Na China, a chefe das Urgências do Hospital Central de Wuhan, Ai Fen, desapareceu após ter dado entrevistas nas quais declarava que tanto ela como colegas seus haviam sido impedidos de alertar para o perigo do coronavírus. Por seu lado, o Presidente da República D. Trump aconselhou os americanos a curar a doença ingerindo detergente ou lixívia, após o que, perante as críticas, declarou que estava a ser "sarcástico".
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Sem notarem o "sarcasmo" do presidente, muitos americanos apressaram-se a seguir o conselho. Nos dias imediatamente após a declaração de Trump, o centro de informação antivenenos norte-americano reportou centenas de casos. Por todos os EUA, milhares de pessoas pediram informação sobre o assunto e muitas ingeriram detergente.