Gabriel Jesus era, há apenas quatro anos, um menino sonhador, que vivia mergulhado na pobreza
da zona Norte de São Paulo, no Brasil, e pintava as ruas de verde e amarelo como forma de apoio à seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014.
Tinha 17 anos e vivia em Jardim Peri. No currículo contava apenas com o futebol de terra batida e cinco clubes locais: o Pequeninos do Meio Ambiente, o União do Peri, o Cantareira, o Vitória do Peri e a Associação Atlética Anhanguera. A fotografia do mais novo da equipa brasileira, de 21 anos, tirada quando o paulista já jogava pela Associação Atlética Anhanguera, tornou-se viral nas redes sociais. Nessa altura já se destacava dos outros jogadores.
Agora, em 2018, é estreante no Campeonato do Mundo e exibe com orgulho a camisola do Brasil, para além de representar o Manchester City. A vida de Gabriel nem sempre foi fácil, mas o jogador sempre se refugiou na bola. "Alguns rapazes têm jogos de computador. Eu tinha a bola e a minha imaginação", pode ler-se no site The Players Tribune, onde deu um testemunho sobre a sua vida.
Com 15 anos, Gabriel já era um dos melhores atacantes da Copa São Paulo Sub-15 com 29 golos marcados. A sua vida sofre, então, uma reviravolta mas, mesmo assim, o jovem não esquece as suas raízes humildes: "Existe uma expressão que é a única forma de descrever o que aconteceu comigo. A minha vida mudou da água para o vinho. Há cinco anos estava a jogar na várzea, apenas a tentar sobreviver, apenas a tentar chegar a um clube grande no Brasil. A várzea deu-me uma boa perspetiva", confessa.
Infância dura
O jogador da seleção brasileira assegurou que nunca passou fome graças à mãe que trabalhava muito para garantir comida na mesa. No entanto, Gabriel assistiu a colegas de equipa cuja única refeição do dia era a que o clube fornecia: uma sandes com mortadela e um refrigerante.
"Eu cresci num bairro chamado Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, e para algumas pessoas que moram lá a vida é uma luta. Mas eu tive a minha mãe, que trabalhava muito duro e garantia sempre à nossa família comida na mesa. Para muitos rapazes com os quais eu cresci era mais difícil. Às vezes, eles só tinham uma única refeição no dia e era a que recebiam dentro do clube. Para ser sincero, muitos deles nem mesmo apareciam para jogar. Eles só vinham para se encontrar e comer de graça um sanduíche de mortadela com refrigerante. Era sempre pão com mortadela e uma lata de refrigerante. Às vezes, era só refrigerante. E isso tinha que durar até o fim do dia", disse o jogador no The Players Tribune.
Além da pobreza em que o jogador vivia, Gabriel também nunca teve um pai presente. A mãe esforçava-se para desempenhar o papel de pai e mãe financeiramente, na educação e no amor com que criou o jovem. Gabriel não esquece a luta diária de
Vera Lúcia Diniz de Jesus e homenageia-a sempre que marca um golo.
"Sempre que marco um golo pelo Manchester City, a minha mãe liga para mim. Não importa se ela está em casa, no Brasil ou no estádio a ver-me jogar. Ela liga-me sempre. Então eu corro até à bandeirinha do canto, coloco a mão no meu ouvido e digo: 'Alô, Mãe'", explicou revelando o significado de um gesto seu que se tornou tão característico.
Gabriel Jesus foi para o Manchester City com um objetivo muito claro: tornar-se um dos jogadores da seleção brasileira. O objetivo foi cumprido e, hoje, o jogador não esconde o orgulho que é vestir a camisola do seu país.
A seleção brasileira jogou esta sexta-feira frente à Costa Rica e ganhou por 2-0, continuando na luta por um lugar na próxima fase do Mundial de Futebol, que se realiza na Rússia.