Há pouco mais de um ano, João Leal decidiu por o tempo que lhe sobrava ao serviço do próximo. Com uma relação estreita com os avós, o jovem fotógrafo, escolheu fazer voluntariado na Santa Casa da Misericórdia junto da população sénior residente nas ERPI’s da instituição. E nem a pandemia da doença Covid-19 pôs em pausa os seus esforços para tornar "o dia do outro melhor".
Três ou quatro vezes por semana, João, de 24 anos, costumava dirigir-se às instalações da ERPI de Santa Joana Princesa, em Alvalade, para fazer companhia aos mais velhos. "Levá-los a dar um passeio pelas redondezas, conversar um pouco ou levá-los a tomar um café, são coisas que animam muito estas pessoas. Algumas não têm sequer família que as visite, porque estão longe, a trabalhar ou até porque já os perderam. São momentos que para eles fazem toda a diferença", conta João que sentiu também a diferença na sua vida.
"Antes, não conhecia bem a realidade de quem vive sozinho, num lar. Por melhor que seja a residência, há sempre a saudade", explica. Na formação inicial que fez para prestar serviço de voluntariado, ensinaram--lhe a importância do afeto mas também a necessidade de estabelecer limites, mas para João isso "não é fácil".
"Há sempre pessoas com quem conversamos mais e com as quais acabamos por criar afinidade", conta, sem inibir-se em dar um exemplo. "Na ERPI de Santa Joana Princesa, por exemplo, há uma senhora com 101 anos que adoro levar a passear. E que agora está muito triste por não podermos ainda sair", diz. João sabe-o porque, apesar da pandemia e da interdição das visitas aos lares, não interrompeu a sua missão.
"Continuamos a falar assiduamente por telefone. Não passeamos mas ajudo-os a ultrapassar esta situação que tanto os tem afligido e deixado um pouco mais tristes. É preciso continuar a animá-los", remata João Leal.
Voluntários para todo o serviço da comunidade
Há poucos meses, segundo João Leal, havia "pelo menos sete voluntários" a apoiar os utentes do lar de Santa Joana Princesa, mas noutras estruturas da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) muitos outros dão voluntariamente o seu tempo e os seus afetos junto de populações com necessidades diferentes.
"Eu senti-me desde logo mais motivado para trabalhar com os mais idosos, outros preferem crianças. Muitos de nós nunca parámos", explica João Leal.
Em tempos de pandemia de Covid-19, uma boa parte destes voluntários manteve-se ativa, ainda que à distância, usando o telemóvel ou as plataformas digitais online, consoante os casos. Desta forma, chegaram a crianças, jovens e adultos, fornecendo apoio pedagógico ao estudo, atividades lúdicas e desportivas e até dinamizando grupos de desenvolvimento pessoal para adultos em equipamentos da SCML.
Motivação, altruísmo e muita responsabilidade
Os voluntários da SCML exercem a sua atividade com um espírito altruísta e de grande generosidade, sendo a sua principal motivação ajudar as pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Os voluntários complementam a ação dos profissionais, nomeadamente através do apoio emocional dos beneficiários, da diversificação das atividades, da implementação de novas práticas e conhecimentos, conforme se lê numa página do site oficial da SCML sobre este tema.
Para ser voluntário é preciso mais do que altruísmo e tempo livre: é preciso ser responsável, perceber os limites da sua atuação, aceitar orientações, aptidão para as atividades, entre outras competências.